Um daqueles que em tempos foi dos meus melhores amigos acabou de passar por mim de carro com a namorada.
Eu estava no cruzamento e acenei.
Ele olhou me nos olhos e ignorou. Nem sorriu.
Percebi o porquê da expressão "murro do estômago". Porque doeu, literalmente doeu me o estômago.
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05 outubro, 2019
24 junho, 2019
Bolachas com gelado
Ela contou-me que a única razão pela qual eles estão juntos é a filha e o facto de ela não ter para onde ir. Que gosta dele, mas ele não gosta dela. Que ele foi obrigado a gostar dela e acha que ela invadiu o espaço dele e no fundo lhe destruiu a vida.
Contou-me ainda como foi a gravidez, que não se aguentava de pé e por isso não conseguia trabalhar e perdeu o emprego (sem poder recorrer), que não falava com o pai nem com a mãe, que toda a gente lhe dizia que "só não trabalha quem não quer. Há muitos empregos por aí" sem conseguirem compreender que ela não se aguentava de pé. Que assim que teve a menina, voltou a ouvir a mesma coisa. Vai trabalhar, vai trabalhar, vai trabalhar, sem compreenderem um pós parto e sem a deixarem sossegada com o seu bebé. Contou-me como a acusaram de dar o golpe do baú (e ele nem dinheiro tem). Dizerem que o filho não era dele, ela só se aproveitou. No porquê de não ter abortado, como se isso fosse a única hipótese e o facto de ela querer assumir uma responsabilidade fosse idiota da parte dela. Sempre dela. Que ele era a vítima. Que ela devia tomar a pílula e saber o que andava a fazer. Contou-me no quão sozinha se sentiu, junta com um homem-rapaz que não a amava, que não compreendia, que não tinha coragem de contar o que acontecera nem aos amigos dele. No quão sozinha se sentiu numa família que a acolheu de muito mau grado porque caiu do céu e ainda por cima grávida. Sempre responsabilidade dela. Nunca dele, não foi ele que se esqueceu de usar protecção, foi ela, sempre ela.
Contou-me isto na fila para os gelados e depois na esplanada. Vi as lágrimas a aparecer nos olhos mas a não cairem, vi a voz a falhar de cada vez que falava na falta de amor. Sempre a falta de amor.
Não me restou mais nada para além de ouvir.
08 março, 2019
Bolachas e o dia da mulher
Eu tinha 13 anos. 12 talvez. Era domingo de manhã e estava a voltar da missa para casa a pé. Ia pela berma da estrada porque não havia passeio. Passou um carro, parou, fez marcha atrás. Era um grupo de rapazes que abriu a janela, gritou qualquer coisa ordinária e deitou a língua de fora. A minha prima estava comigo e tinha 10 anos. Não sei se ela se lembra, eu lembro-me. muito bem.
"Foi só isso?" Sim, foi só isso. Eu tinha 13 anos, talvez 12.
Eu tinha 24 anos acabados de fazer. Estava à porta de casa de um amigo meu. Passou um carro da polícia, buzinou e gritou "hey lindaaaa". Eu estava de saia.
"Oh, não ligues. Devias te sentir lisonjeada". Não liguei, mas não me senti lisonjeada. Era um carro da polícia.
Eu tinha 16 anos. Estava na aula de educação física a aquecer com corrida. Um colega meu fez questão de baixar o ritmo da corrida para se por ao meu lado e, enquanto eu corria, ir dizendo "boing boing boing", porque - mesmo com soutien desportivo - as minhas mamas mexiam-se.
"Até tem piada" . Não teve. Foi desconfortável e embaraçoso.
Eu tinha 17 anos. Estava a deixar CV's em cafés para arranjar trabalho durante o Verão. Deixei o CV e quando saí porta fora o dono do café - cinquenta e tal anos - chamou-me. Fazemos já a entrevista. okay. vamos para uma sala vazia. quer tomar alguma coisa? um café por favor. Já tem idade para beber café? ahh.. sim, às vezes. E idade para fazer outras coisas? ahh.. não..
"Isso realmente é estranho, mas não te fez nada de mal". Eu tinha 17 anos, foi desconfortável, fugi dali assim que pude. Esse vestido fica-lhe muito bem. Malícia em toda a frase.
Eu tinha 15 anos. Estava com os meus amigos e apareceu o tio de um deles, com 25 anos por aí. "Cuidado com o cão que está aí! ... mas eu dava-te cá uma trinca".
"oh, ele conhece-te desde pequena, é boa pessoa" mas se pudesse dava trincas a uma miúda de 15 anos.
Isto são 5 histórias, todas verídicas, todas comigo, pensadas aqui em 10 minutos para escrever este post. Todos os comentários escritos após a história são verdade, ouvidos de pessoas próximas. Com certeza que se eu pensasse mais, ia-me lembrar de mais histórias do género.
É isto que é importante refletir no dia da mulher.
Não são os descontos das lojas. É isto.
Não desvalorizem.
"Foi só isso?" Sim, foi só isso. Eu tinha 13 anos, talvez 12.
Eu tinha 24 anos acabados de fazer. Estava à porta de casa de um amigo meu. Passou um carro da polícia, buzinou e gritou "hey lindaaaa". Eu estava de saia.
"Oh, não ligues. Devias te sentir lisonjeada". Não liguei, mas não me senti lisonjeada. Era um carro da polícia.
Eu tinha 16 anos. Estava na aula de educação física a aquecer com corrida. Um colega meu fez questão de baixar o ritmo da corrida para se por ao meu lado e, enquanto eu corria, ir dizendo "boing boing boing", porque - mesmo com soutien desportivo - as minhas mamas mexiam-se.
"Até tem piada" . Não teve. Foi desconfortável e embaraçoso.
Eu tinha 17 anos. Estava a deixar CV's em cafés para arranjar trabalho durante o Verão. Deixei o CV e quando saí porta fora o dono do café - cinquenta e tal anos - chamou-me. Fazemos já a entrevista. okay. vamos para uma sala vazia. quer tomar alguma coisa? um café por favor. Já tem idade para beber café? ahh.. sim, às vezes. E idade para fazer outras coisas? ahh.. não..
"Isso realmente é estranho, mas não te fez nada de mal". Eu tinha 17 anos, foi desconfortável, fugi dali assim que pude. Esse vestido fica-lhe muito bem. Malícia em toda a frase.
Eu tinha 15 anos. Estava com os meus amigos e apareceu o tio de um deles, com 25 anos por aí. "Cuidado com o cão que está aí! ... mas eu dava-te cá uma trinca".
"oh, ele conhece-te desde pequena, é boa pessoa" mas se pudesse dava trincas a uma miúda de 15 anos.
Isto são 5 histórias, todas verídicas, todas comigo, pensadas aqui em 10 minutos para escrever este post. Todos os comentários escritos após a história são verdade, ouvidos de pessoas próximas. Com certeza que se eu pensasse mais, ia-me lembrar de mais histórias do género.
É isto que é importante refletir no dia da mulher.
Não são os descontos das lojas. É isto.
Não desvalorizem.
11 fevereiro, 2019
Bolachas e a serra de Sintra
Da cereja no topo dos meus dias é quando saio a horas de ainda ver o Sol a pôr-se por trás da serra, e ver o céu em tons rosas, azuis, roxos e laranjas, com a serra recortada e o palácio lá no topo bem centrado.
Gosto tanto do sítio onde vivo.
Gosto tanto do sítio onde vivo.
27 janeiro, 2019
Bolachas pequeninas
Um dos meus amigos de infância e a namorada nova têm andado a espalhar veneno contra mim e o mr.vulcano, e eu não compreendo porquê.
Fico de coração pequenino.
Fico de coração pequenino.
Bolachas assumidas
Então contei ao meu núcleo familiar mais próximo que namorava. Pronto, já está. Vamos todos respirar fundo que isto é sempre muita agitação. Não que eles critiquem (nunca!) mas eu sou uma pessoa muito reservada nestas coisas e gosto pouco do sururu.
20 dezembro, 2018
Bolachas atualizando
O meu engate-vulcão, passou a meu namorado-vulcão.
Porque tudo o que escrevi fazia sentido na altura, a falta de algo mais. Esse algo mais efetivamente não existia, da parte dos dois, porque nunca foi suposto de haver. A partir do momento que ambos compreendemos que gostavamos um do outro - sem grande complicações, sem justificações e sem lógica aparente - as coisas rolaram e bateram certo. Tudo bateu certo. Não sei explicar melhor.
Deve ser das primeiras vezes que eu não sei explicar bem aquilo que por aqui vai.
Mas é bom. É tão bom.
Porque tudo o que escrevi fazia sentido na altura, a falta de algo mais. Esse algo mais efetivamente não existia, da parte dos dois, porque nunca foi suposto de haver. A partir do momento que ambos compreendemos que gostavamos um do outro - sem grande complicações, sem justificações e sem lógica aparente - as coisas rolaram e bateram certo. Tudo bateu certo. Não sei explicar melhor.
Deve ser das primeiras vezes que eu não sei explicar bem aquilo que por aqui vai.
Mas é bom. É tão bom.
28 novembro, 2018
18 novembro, 2018
09 novembro, 2018
Bolachas com redbull
Só para terem noção:
Dois empregos, uma tese, três livros, uma casa, dois animais e uma vida pessoal para gerir
Dois empregos, uma tese, três livros, uma casa, dois animais e uma vida pessoal para gerir
01 novembro, 2018
Bolachas conversadoras
Prefiro mil vezes conversas com uma única pessoa acerca de ~vários~ temas que me interessem e fascinem, em que debatemos e trocamos opiniões, do que conversas com muita gente sobre temas leves.
São necessárias e também as tenho. Mas prefiro uma boa discussão. Desde sempre.
São necessárias e também as tenho. Mas prefiro uma boa discussão. Desde sempre.
30 outubro, 2018
Bolachas amigas
Quando olhas pelas janelas iluminadas durante a noite, entendes que há vidas para além de ti.
Os teus amigos têm vidas para além de ti, não faz com que sejam mais ou menos teus amigos, são tipos de proximidade diferentes. Não se falam todos os dias, não se vêem todos dias, mas estão lá quando é preciso: coisas boas, coisas más. Aquela amiga que vive no Alentejo mas que ao primeiro toque atende. Aquele amigo do Norte que volta e meia pede para vir a Lisboa passar um fim de semana. A outra que manda mensagem Às 4 da manhã e tu respondes Às 7h, só para contar que o boy é mesmo fofo ou sei lá. Depois tens os mais próximos, há sempre alguém mais próximo. Que merece todas as oportunidades do mundo, que tu gostas acima de todos e para sempre.
Há várias formas de seres amigo, mas uma coisa é certa: não é querendo ser o centro das atenções que os vais manter.
Tens de saber dar valor, olhar o geral antes de julgar o pequeno. Perdoar e saber acolher apesar de tudo. Ser amigo implica esforços, e implica saber reconhecer esses esforços.
28 outubro, 2018
Bolachas e as saudades
Às vezes pergunto-me: se eu baixasse as minhas expetativas e não quisesse um amor-completo, não estarei a perder ali a minha oportunidade?
Mas eu não me quero contentar com pouco. É este o problema.
27 outubro, 2018
Bolachas resistentes
Engraçar. Engatar. Manter uma relação íntima. Ser amiga. Ser mesmo muito amiga. Entender que é mesmo só amizade (e voltinhas). Compreender que queres amor, e ali não há. Só amizade. Custar-te o mundo mas acabares. Manter a amizade. Ter vontade de voltar porque era confortável, e bom, e eram amigos. Perceber que se voltares vais ter de acabar outra vez eventualmente, e faze-los passar por tudo. e passares por tudo outra vez. Resistir. Resistir mesmo muito. Manter mesmo só a amizade.
As minhas últimas relações resumidas.
Bolachas las loucas
Eu juro-vos que há pessoas que gostam mesmo de dar uma de la louca.
Mas depois choram que estão sozinhas.
Mas depois choram que estão sozinhas.
19 outubro, 2018
Bolachas e o bem que os outros te fazem
As relações acabam porque as pessoas se esquecem do bem que a outra lhes fez.
Rodrigo, o meu aluno, do alto dos seus 13 anos.
18 outubro, 2018
Bolachas à procura do amor
Acabar uma relação sem amor, mas cheia de carinho e cuidados, é sempre algo que me deixa destroçada. A razão foi simples - tenho esperanças de me apaixonar - tudo porque se já vivi um amor-perfeito uma vez e vejo pessoas à minha volta a vive-lo, tenho de acreditar que eu também mereço esse amor-completo, essa paixão que te domina, esse companheirismo acima de tudo.
Ele não me dava isso, eu nunca lhe pedi isso, mas concluimos que, mesmo que tivesse pedido, tal não existiria. Ele não acredita em grandes amores, eu não posso estar com alguém que não acredita que eu sou o grande amor da vida dele. Destroça-me. Mas acabar com ele - acabar contigo - destroça-me na mesma, porque antes de amor e paixão, vem sempre amizade e carinho e, foda-se, eu tenho muito por ti.
Desculpa, meu engate-vulcão, por ter sido mais uma desilusão.
E obrigada pelo que me ensinaste.
15 outubro, 2018
Bolachas milésimas
O que mais me custa no meio disto tudo é que continuo a encontrar coisas que tu irias gostar e por milésimos de segundos penso "isto dava uma boa prenda" e depois lembro-me que já não partilhamos prendas, mensagens, chamadas, uma vida.
19 setembro, 2018
Bolachas e faltava este
O conselho do meu pai: Eu sei que custa, e compreendo-te. Mas isto é a prova, que procuravas sem saber, que podes seguir em frente.
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