Eu tinha
13 anos. 12 talvez. Era domingo de manhã e estava a voltar da missa para casa a pé. Ia pela berma da estrada porque não havia passeio. Passou um carro, parou, fez marcha atrás. Era um grupo de rapazes que abriu a janela, gritou qualquer coisa ordinária e deitou a língua de fora. A minha prima estava comigo e tinha
10 anos. Não sei se ela se lembra, eu lembro-me. muito bem.
"Foi só isso?" Sim, foi só isso. Eu tinha 13 anos, talvez 12.
Eu tinha
24 anos acabados de fazer. Estava à porta de casa de um amigo meu. Passou um carro
da polícia, buzinou e gritou "hey lindaaaa". Eu estava de saia.
"Oh, não ligues. Devias te sentir lisonjeada". Não liguei, mas não me senti lisonjeada. Era um carro
da polícia.
Eu tinha
16 anos. Estava na aula de educação física a aquecer com corrida. Um colega meu fez questão de baixar o ritmo da corrida para se por ao meu lado e, enquanto eu corria, ir dizendo "boing boing boing", porque - mesmo com soutien desportivo - as minhas mamas mexiam-se.
"Até tem piada" . Não teve. Foi desconfortável e embaraçoso.
Eu tinha 17 anos. Estava a deixar CV's em cafés para arranjar trabalho durante o Verão. Deixei o CV e quando saí porta fora o dono do café - cinquenta e tal anos - chamou-me. Fazemos já a entrevista. okay.
vamos para uma sala vazia. quer tomar alguma coisa? um café por favor. Já tem idade para beber café? ahh.. sim, às vezes. E idade para fazer outras coisas? ahh.. não..
"Isso realmente é estranho, mas não te fez nada de mal". Eu tinha 17 anos, foi desconfortável, fugi dali assim que pude.
Esse vestido fica-lhe muito bem. Malícia em toda a frase.
Eu tinha
15 anos. Estava com os meus amigos e apareceu o tio de um deles, com 25 anos por aí. "Cuidado com o cão que está aí!
... mas eu dava-te cá uma trinca".
"oh, ele conhece-te desde pequena, é boa pessoa" mas se pudesse dava trincas a uma miúda de 15 anos.
Isto são 5 histórias, todas verídicas, todas comigo, pensadas aqui em 10 minutos para escrever este post. Todos os comentários escritos após a história são verdade, ouvidos de pessoas próximas. Com certeza que se eu pensasse mais, ia-me lembrar de mais histórias do género.
É isto que é importante refletir no dia da mulher.
Não são os descontos das lojas. É isto.
Não desvalorizem.