sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Bolachas e a vida continua a girar

Estou na blogosfera à seis anos. Seis anos com blog, não sei quantos só a ler.
Já vi blogues nascerem, atingirem o auge, desaparecerem, voltarem. Já vi pessoas solteiras, com namorado, noivas, casadas, com filhos. Já vi tudo isto acontecer à mesma pessoa. Já fiz amigas, já deixei de falar com elas, já voltei a falar com elas. As coisas vão e vem. Já conheci dilemas de meninas-jovens que todas somos no secundário. Pessoas a entrar na faculdade, a irem trabalhar, a trocarem de curso, a acabarem o curso. Dilemas de amor, o amor-de-vida de umas, os amores-passageiros de outras. Já aprendi segredos de pessoas que não revelam esses segredos a mais ninguém para além destes blogues/diários secretos.

Ontem chumbei à minha primeira disciplina. Projecto. A mais importante de todas. Chumbei e tive um 6. (nunca seria possivel ter um 6 em Portugal só para que conste). Achei injusto, vi as notas dos meus colegas e mais de metade chumbou. Havia bons projectos que tiveram 9. Houve alunos de erasmus que tiveram 9,5 (a sério? não lhe dão meio ponto? Nunca mais o vão ver!). Para quem não sabe, projecto é difícil e muito trabalhoso, mas se apareces no final de semestre com tudo feito e apresentas todo o teu trabalho, tens no mínimo um 8 e é se for mesmo muito mau. O meu não era muito mau. Nem sequer era mau. Era mesmo... médio. Foi um choque entrar em mestrado. Foi um choque não ter aulas em inglês e sim em francês. Chocou-me também a falta de acompanhamento, o facto de rirem-se das minhas ideias (e isto aconteceu. Nunca em tempo algum vi um professor a rir-se de ideias). Quando cheguei à sala perguntei ao meu amigo canadiano a nota dele "11,5". Ele tinha dos melhores projectos que eu já tinha visto. Em Portugal tinha um 15 à vontade. Se não mais. Ri-me, fui ver a minha nota, vi a minha nota, ri-me mais. "Lamento" disse ele, não lamentes Pierre, não é justo e eu sei. Sei aquilo que fiz e aquilo que valho. Quem avalia o teu projecto em 11,5 não sabe avaliar. Quem dá 9 ao trabalho daquele rapaz não sabe avaliar. Não te preocupes, ninguém morre. Não é grave. É só mais um ano. E será melhor porque não terei todo este choque, não terei um 10 a estragar-me a média. Mas nunca te esqueças que o teu projecto não vale 11,5. "Passei a noite a fazer esta maquete e eles nem olharam para ela", é assim, não fiques triste. Isto foi uma rebaldaria e valeu a experiência. Valeu fazer amigos (poucos, mas talvez que durem). Eu faço amigos para durar, não gosto de fazer amigos para nunca mais os ver (também os fiz). Dá cá dois beijinhos, escreve-me, se fores a Portugal diz-me que eu dou-te casa em Lisboa sem pensar duas vezes. Adeus Adeus

O mundo não acaba porque chumbei. O mundo não acaba porque ficarei mais um ano na faculdade. Muita coisa está a mudar. Eu estou a mudar. Vi essa mudança acontecer. Senti-me mais crescida. Enfrentei tudo o que havia para enfrentar, mas as coisas continuam. Dizia a Manganet no outro dia "a vida continua a girar e tu aprendes a dizer adeus", eu digo mais, a vida continua a girar e tu tens de seguir. Crescemos todas, nota-se isso na blogosfera, começamos a viver sozinhas, a trabalhar, a acabar as teses, a entrar em mestrado. Eu comecei a escrever isto em 2010, início do 11ºano. À seis anos. Quando releio aquilo que escrevi por vezes até fico envergonhada, e já me perguntaram porque não apago então. Eu não apago história. Não para já. Talvez um dia decida reinventar-me como tantas vezes o faz a mariana. Mas para já está lá. Lembra-me que a vida continua, que vais passar tudo o que outrora achas-te impossível. 

Porque "A vida continua a girar e tu aprendes a dizer adeus". Adeus àquilo que ficou para trás. Adeus àquilo que que custou, mas passou. Adeus à tua meninice. Vais crescer. Irei viver sozinha pela primeira vez para a semana. Tenho 21 e irei viver sozinha com um cão e um gato. Tenho 21 e deixei de ser menina porque em uma só semana chumbei, despedi-me de quem é importante e começarei uma nova época. Será assim. A vida continua.

Vou só ali fazer um furo nas orelhas.*

*Eu furo as orelhas quando quero marcar alguma coisa importante. Como a bruxa em sapatos de rebuçado, ela guardava amuletos na pulseira. Eu faço furos. É assim desde os 13. Apesar de tudo, há coisas que nunca mudam.


8 comentários:

  1. nem tenho palavras :')

    (ps: também faço isso nas orelhas)

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  2. Gostei muito de ler este texto. Tens toda a razão e não podia ter concordado mais com cada palavra. Sei que não conseguia chumbar injustamente e estar tão calma como tu, mas lá está, a vida não para e eu hei-de lá chegar. Boa sorte na etapa nova que vais começar :)

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    1. Não só foi injusto como foi ridículo. Daí eu ter ficado tão calma. (E o meu pai ajudou bastante a compreender que o mundo não ia acabar. ter apoio é o mais importante). Obrigada :D

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  3. vou começar por ser prática. tive 1,17/10 numa cadeira de erasmus cujo exame era de desenvolvimento (e se eu escrevi). o professor disse que nos ia chumbar no primeiro dia, fiquei puta, depois ri-me do insólito todo e disse «deixa, faço no próximo ano». coisas que eu ignorava na altura e me tinham dado jeito saber: se eu tivesse vindo cá em época de recurso fazer a cadeira essa equivalência ficava excluída, ie, contava a nota da faculdade, houve pessoas mais informadas que fizeram isso, achei de génio (vê se podes fazer ainda cá). segundo, esta sabia mas como estava para aceder a mestrado não podia usufruir porque interferia nas datas a concurso, mas tu já estando não há problema: como estudante erasmus podes pedir estatuto para ires a época especial. lê os documentos da tua faculdade relativamente a isso. com sorte arrumas ainda isso este ano. :)

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    1. Projecto tem de ser feita com acompanhamento, é uma disciplina que não dá só para ir ao exame final. É prática. Mas esse conselho parece-me muito bom para outras disciplinas caso aconteça. Obrigada. Beijo na testa também :D

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  4. vou terminar, cheia de orgulho na velha sofia e na que acabou de chegar. beijo na testa.

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  5. É uma nova fase interessante, believe me! (*há 6 anos, *achaste)

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