quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Bolachas bailarinas

Aquilo é para mim eu sei, eu conheço-te. E conheço-me. Preciso de dançar. Ela hoje disse-me que não confia nas pessoas. Eu disse que acreditava que as pessoas não são más. Disse que todos mentíamos  Disse que podes confiar muito em alguém e ainda assim saber que essa pessoa te mente. Disse que era uma questão de conhecer as peças. Eu conheço-te. E preciso de dançar. Eles baralharam o trabalho todo. Não foi por mal digo eu. São estúpidos diz ela. Tem calma, as pessoas não são más. Não os conheço, mas vê-se na cara. Apetece-me dançar. A miúda diz-me que tem tudo para fazer e não se mexe. Quase lhe grito em plena sala que tenho os trabalhos bem mais atrasados que ela e estou ali a trabalhar. Apetece-me bater-lhe, e preciso de dançar. Invento bastante no meu trabalho de cultura. Ninguém vai perceber. São coisas irrelevantes. Preciso de dançar. Tenho saudades dele mas não tenho tempo para pensar nisso. Preciso mesmo de dançar. Explico geometria nas pausas do trabalho. Recebo um ultimato para comparecer à festa. Faço ginástica financeira mentalmente. Tenho a mesa cheia de livros e papeis. Preciso de dançar, preciso desesperadamente de dançar. Dói-me tudo. Dói me a cabeça, dói me os olhos, dói me os ombros e doi-me a alma. Ela diz-me para relaxar, por musica, parar e dançar. Faço isso. Precisava tanto, tanto de dançar.

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